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Doença mão-pé-boca: quando a Odontologia pode ajudar

Foto do escritor: Gabrielle Aguiar
Gabrielle Aguiar
27 de set.
3 min de leitura
Lesões em palma da mão  - Doença pé - mão - boca


A doença mão-pé-boca é uma infecção viral comum na infância, causada principalmente por enterovírus, especialmente os vírus Coxsackie A16, Coxsackie A6 e Enterovirus A71.

É mais frequente em crianças pequenas e apresenta elevada capacidade de transmissão, especialmente em ambientes de convivência infantil, como creches e escolas.

Embora geralmente tenha evolução favorável e autolimitada, as manifestações na boca podem provocar dor significativa e dificultar a alimentação, a ingestão de líquidos e a higiene oral.


Quais são os sintomas da doença mão-pé-boca?

O quadro costuma começar com febre, mal-estar, redução do apetite e, posteriormente, surgimento de lesões na boca e na pele.

Na cavidade oral, podem aparecer pequenas vesículas que rapidamente se rompem e dão origem a úlceras dolorosas. Língua, mucosa das bochechas, palato e gengiva podem ser acometidos.

Na pele, as lesões características aparecem principalmente nas mãos e nos pés. Entretanto, apresentações mais extensas também podem ocorrer. O Coxsackie A6, por exemplo, está associado a manifestações cutâneas atípicas, que podem atingir outras regiões do corpo.


Em que época do ano a doença mão-pé-boca é mais frequente?

A doença pode ocorrer durante todo o ano, mas sua incidência apresenta variação sazonal, que depende da região e das condições climáticas. Em diferentes países e regiões, são descritos aumentos de casos principalmente nos períodos mais quentes do ano, frequentemente durante a primavera e o verão. Por isso, é comum que escolas e creches registrem maior circulação da doença em determinadas épocas.


Por que as lesões na boca merecem atenção?

As úlceras podem ser bastante dolorosas. Em crianças pequenas, isso pode levar à recusa alimentar, redução da ingestão de líquidos e dificuldade para realizar a higiene oral. Por isso, o cuidado não deve se limitar à identificação da doença. É importante controlar o desconforto, preservar a hidratação e acompanhar a evolução das lesões. A Odontologia pode contribuir na avaliação das manifestações orais, no diagnóstico diferencial de outras doenças ulcerativas e na orientação dos cuidados necessários durante o período de recuperação.


Como a Odontologia pode ajudar?

A atuação odontológica pode incluir:

  • avaliação das lesões da mucosa oral;

  • diagnóstico diferencial com outras condições que causam úlceras;

  • orientação de higiene bucal durante a fase aguda;

  • medidas para reduzir o desconforto durante a alimentação;

  • acompanhamento da evolução das lesões;

  • orientação aos responsáveis quanto aos cuidados com a cavidade oral;

  • medidas complementares para controle da dor.

Quando a dor é intensa ou as lesões comprometem a alimentação e a hidratação, a avaliação profissional torna-se ainda mais importante.


Laserterapia pode ajudar nas lesões orais?

A fotobiomodulação, realizada com laser de baixa intensidade, é utilizada na Odontologia como recurso complementar para o controle da dor e para favorecer os processos de reparo da mucosa oral. Na doença mão-pé-boca, entretanto, é importante diferenciar o que já está estabelecido na literatura daquilo que ainda está sendo estudado. Não existem evidências clínicas robustas suficientes para afirmar que a fotobiomodulação seja um tratamento específico da doença mão-pé-boca. As evidências disponíveis são principalmente provenientes de estudos com outras condições ulcerativas da mucosa e, especialmente, com mucosite oral em crianças.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 avaliou 20 estudos sobre fotobiomodulação para mucosite oral em pacientes pediátricos e observou benefícios principalmente relacionados à analgesia, além de possíveis efeitos sobre cicatrização, gravidade e duração das lesões. Os autores, entretanto, ressaltam a necessidade de estudos de maior qualidade e de protocolos mais bem definidos.

Assim, quando indicada, a laserterapia deve ser considerada um recurso complementar e individualizado, e não substitui o acompanhamento pediátrico nem as medidas de suporte necessárias durante a infecção.


Cuidar da boca também é cuidar do bem-estar da criança

Durante a doença mão-pé-boca, a dor oral pode interferir significativamente na rotina da criança. A atuação da Odontologia pode ajudar a reduzir o desconforto, acompanhar a evolução das lesões e orientar a família sobre os cuidados com a cavidade oral.

O objetivo é proporcionar mais conforto e segurança durante a recuperação, respeitando as necessidades de cada criança.


Referência bibliográfica

  1. Calarga CC, Cotomácio CC, Simões A. Photobiomodulation for oral mucositis management in pediatric patients: a systematic review. Lasers in Medical Science. 2024;39:272.

  2. Kauark-Fontes E, et al. Twenty-year analysis of photobiomodulation clinical studies for oral mucositis: a scoping review. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology and Oral Radiology. 2023;135(5):626-641.

  3. Starkey SY, et al. Atypical cutaneous findings of hand-foot-mouth disease in children: a systematic review. Pediatric Dermatology. 2024;41(1):23-27. Revisão sistemática de 85 estudos e 1.359 casos pediátricos.

 
 
 

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